sábado, 2 de fevereiro de 2013

A REJEIÇÃO DOS PROFETAS

O caminho traçado por Lucas nesse quarto domingo do Tempo Comum (Lc 4, 21-30) continua a disputa entre Jesus e os nazarenos na sinagoga. Cabe ressaltar que Nazaré foi o lugar onde ele se criou. Era conhecido no vilarejo e gozava de certa simpatia. Só que ao se anunciar como Messias tudo mudou.

A rejeição. É típico dos textos bíblicos a rejeição aos profetas sobretudo no Primeiro (antigo) Testamento. Bom lembrar Amós, Ezequiel e sobretudo Jeremias. Nos parece que uma questão basilar se impõe: quando o profeta fala sobre Iahweh e esbraveja, dizendo que Deus está descontente com o povo, sem problemas; mais quando ele ousa apontar os pecados de Israel, ai tudo muda. Na verdade, trata-se de uma situação que acompanha a história humana nas diversas tradições religiosas. Vários e vários grupos - afora Isarel - além do judaísmo tiveram a presença de homens e mulheres profetizando. A concepção e o corpo da pregaçlão muda, mais a teimosia e o orgulho do povo, não. Se olharmos bem o caso de Jeremias, notaremos que a rejeição e o sofrimento perpassaram sua atividade profética. Muitos textos apontam para a tristeza e diría até, depressão do profeta com a situação vivida na sua época. Mencionemos alguns: Jr 2, 20-37; 8, 18-23; 11,18-23 e tantos outros dele e de outros. São descrições fortes e de uma teologia incomensurável porque toca na ardilosa incapacidade entre sacerdócio e profecia, sobretudo numa época que muitos sacerdotes se vendiam aos reis de Israel. É, templo e pregação profética não confluiam e, por isso, a trajetória do Messias no evangelho não poderia ser amena.

Com Jesus seria diferente?
A proposta de Jesus transcendeu a vocação dos profetas. Na verdade, Jesus não anulou os profetas antigos mais superou as expectativas do povo quando criou um movimento de homens e mulheres para segui-lo. Acendeu com sua pregação um fogo de esperança e destoou daquilo que sacerdotes, escribas e doutores da lei esperavam. Ele não se detem ao Templo. Quebra as estruturas injustas que torturavam os pobres e sofredores. O próprio Lucas apresenta Jesus na sinagoga várias vezes e quando realiza sinais é criticado e rejeitado: 13, 10-17. Jesus foi rejeitado e tratado como subversivo da lei. O que denota na sua pregação pelo estilo de vida que levava, é que Jesus preocupava as autoridades religiosas da época. De novo, Templo e Profecia não se combinam. O Reino pregado por Jesus não cabe dentro das estruturas religiosas. Pelo jeito, teremos que encarar hoje essa ruptura, mais cedo ou mais tarde. A questão é se teremos clareza para ler os sinais dos tempos e continuarmos a trajetória proposta por Jesus.

Jesus e a profecia hoje
É complexo mencionar nos tempos atuais aonde vivem de fato os profetas. A força da 'Palavra' continua ardendo no coração do povo de Deus, sobretudo dos mais pobres. Só que os espaços são limitados para uma vivência jesuânica forte e contundente. Nas comunidades em geral sobra uma igreja de movimentos e que ao nosso ver, perfaz um caminho oposto ao de Jesus. Exsite preocupação com a estética e com o culto em detrimento da profecia. Muitos e muitas ousam resgatar o caminho do Messias e se faz necessário ouvi-los. Podemos recordar o testemunho de D. Romero, de D. Hélder e D. Távora. A coragem da africana Joseja Bakita, de Madre Tereza e de Dorothy Stang. Sentimos que nos meios eclesiais existe suspeição da causa vivida por eles e elas, mais o projeto de Jesus continua vivo na memória e na história deles (as). Quando nos defrontamos com a luta quilombola e a coragem profética do Pe. Isaías Nascimento aqui em Propriá, sentimos que ainda vale a pena crer no Reino. A profecia não morreu. A rejeição dos profetas não significa que morreu a utopia; pelo contrário, o sangue deles e a força da eucaristia simboliza a gratuidade de quem encontrou seu verdadeiro tesouro (Mt 5,1-12a).

José Soares de Jesus
Mestre em Cc da Religião - UNICAP/PE

sábado, 6 de outubro de 2012

DEMOCRACIA REPRESENTATIVA


Chegamos ao dia das eleições municipais. A noção de cidade e de democracia deveria nortear os eleitores (as) nesse momento tão delicado de nossa conjuntura. Só que infelizmente, muitos ignoram sua condição e até vendem de forma humilhante o seu voto.

Na cidade – e para nós de Aracaju – passamos a maior parte de nossas vidas. Nela sofremos, choramos, lutamos, sorrimos e votamos. Nas eleições municipais todos esses traços aparecem com força e nosso dever é contribuir com uma participação altiva e coerente.

O último debate dos candidatos majoritários em Aracaju foi pífio e desastroso. Nada de novo surgiu e, pareceu-nos um teatro o engessamento dos participantes e das perguntas. Não sentimos firmeza. Temas fundamentais para o povo aracajuano passou distante e alguns ataques pessoais voltaram à tona manchando a democracia e esnobando da inteligência do (a) eleitor (a).

Temos a convicção que dessa vez ainda não avançaremos em questões urgentes para a coletividade. Podemos citar a dimensão ambiental e a problemática dos transportes. Na primeira, vemos o rio Sergipe poluído e agonizando em nossa capital. Que vergonha! A população, representada por entidades, igrejas, sindicatos e grupos ligados ao meio ambiente tem feito muito pouco. Os gestores: nada! E então, quem vai nos representar nessa luta? Na segunda, estamos à deriva. As empresas de transporte coletivo mangam da população. As propostas da campanha precisam de exeqüibilidade e nós, cidadãos e cidadãs temos que cobrar. Sair desse “anestesiamento social” e de uma inércia profunda que gera corrupção e permite aos gestores adiar sempre mais as mudanças necessárias. Transporte de qualidade e, sobretudo, viabilizar conforto e menos poluição ao meio ambiente.

Num pais como o Brasil, aonde o regime político permite eleição para os municípios é uma vergonha omitir-se da votação. A democracia representativa é uma condição de fazer valer nosso voto para prefeitos e vereadores honestos e comprometidos com o bem comum. O prefeito exerce de forma “macro” o papel de um síndico. Ele governa e dirige o município para todos e todas; ele nos representa e não deve ser o dono das verbas e da vida da população. Por isso, deve cair quando governa mal. E os vereadores (as)? Possuem tarefa complexa. Apresentam projetos e fiscalizam o executivo. Num regime democrático e representativo como o nosso, vereador recebe delegação de um coeficiente “X” da população. Não é assistente social para doar coisas e empregos. Não é um “messias” na concepção de que deve salvar rebanhos. Cremos que no legislativo nossa escolha deva ser mais acurada. Eleger um (a) vereador (a) exige critérios éticos e na nossa cidade todo cuidado é pouco com a ingerência de empresas e grupos econômicos. A população precisa acordar para não sofrer depois conseqüências desastrosas como no caso do Plano Diretor.

Democracia é um exercício delicado e necessário. Representatividade exige consciência e uma práxis mais comunitária. Votar, eleger, cobrar e mudar de candidato pode ser uma boa saída, quando a população reconhece seu papel no sistema político. Para fechar – por hora – a questão, citamos um trecho da Centessimus Annus:

·        “A Igreja encara com simpatia o sistema da democracia, enquanto assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os próprios governantes, quer de os substituir pacificamente, quando tal se torne oportuno; ela não pode, portanto, favorecer a formação de grupos restritos de dirigentes, que usurpam o poder do Estado a favor dos seus interesses particulares ou dos objectivos ideológicos” (n. 46).

Oxalá, Deus nos permita dias melhores na nossa cidade. Consciência cidadã mais apurada e tempos melhores para nossos filhos (as), netos e netas.

José Soares de Jesus

Mestre em Ciências da Religião –UNICAP/PE

·        João Paulo II, Encíclica Centessimus Annus, 1991.

 

sábado, 8 de setembro de 2012

O EVANGELHO DE MARCOS - LIVRO DE COMUNIDADE

                                                                                            
               A Igreja no Brasil segue um caminho missionário de intensa profundidade quando destaca a BÍBLIA no mês de setembro. Para quem trabalha e cuida de comunidades é uma oportunidade impar para aproximar ou reaproximar nosso povo da Palavra.

Durante esse ano de 2012 estamos trabalhando o evangelho de Marcos. Sentimos uma paixão imensa por esse primeiro relato da vida de Jesus. Os traços históricos do homem Jesus são fortes e impressionantes. Sugerimos a leitura orante de todo o cap. 6. Rejeição, conflito, ousadia e missão marcam a perícope.

Também é necessário destacar que o evangelho foi escrito para e a partir de uma comunidade. Não existe evangelho ou boa notícia solto, inconcluso, etéreo, abstrato e sem conexão com a realidade. Tudo isso serve para fugirmos de duas tentações terríveis que invadem nossas comunidades: a primeira é “fazer do evangelho um livro de receitas ou soluções mágicas” (explicarei no próximo artigo) e, a segunda é o fundamentalismo. São perigos recorrentes que tornam os cristãos (as), ou pelo menos, alguns mal informados, discípulos da violência e da intolerância. Isso porque usam a bíblia/evangelho como se fosse uma espada esquecendo-se de seu traço libertador e amoroso.

O Pe. Bortolini assevera com propriedade: “Marcos foi o primeiro evangelho a aparecer por escrito, e seu autor pode ser considerado o criador de um gênero literário chamado evangelho. Essa palavra, que significa boa notícia, não se refere a um livro, mas sim a seu conteúdo. Os Evangelhos não surgiram para serem considerados biografia de Jesus, mas canais transmissores da boa notícia, que é o próprio Jesus, em suas palavras e atos. Suas palavras e atos visibilizam o Reino, o projeto do Pai”.

Então vamos a sua leitura e reflexão nas comunidades. Lembremo-nos de um recado contumaz de João Marcos – esse é o nome de que escreveu o evangelho (Atos 12,12) – que é Seguir a Jesus. Um traço indispensável para uma boa leitura. E recomendo a leitura de Mc 10, 46-52. E um material maravilhoso para se aprofundar mais pode ser encontrado pelo site: www.cebi.org.br .

 

 

José Soares de Jesus

Curso de Teologia

e Pós-Graduação em Mag. Ensino Superior

Pela UNIT –ARACAJU

MESTRE em Ciência da Religião

UNICAP - PE

 

 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O ETERNO BOLT

As Olimpíadas de Londres (2012) tem colocado histórias encantadoras em evidência. Elas são próprias de disputas desse nível. A China, por exemplo, disputa com os Estados Unidos o primeiro lugar no quadro de medalhas. Outros países despontam com força e muita preparação. O Brasil uma eterna decepção. O que consola – se é que existe esse parâmetro – é o desempenho de atletas individuais que lutam como heróis em meio a tantos outros que recebem apoio incontestável dos seus países. Por aqui em meio à falaciosa Olimpíada de 2016 fica nítida a certeza de que teremos muita desorganização; falta de incentivo aos atletas; desvio de verbas, que não se engane já começou a muito tempo; pouco investimento a longo prazo e uma cultura esportiva mórbida que investe de forma pífia na adolescência e na nossa juventude. Veja uma equipe de basquete americana jogando? Aonde começam os investimentos e o planejamento? Nas escolas e universidades. O Rio de Janeiro em 2016 corre o perigo de ser um fiasco!
Outra face da “medalha” e, essa bem mais reluzente é a saga de um negro da JAMAICA que encanta o mundo com sua ginga, criatividade, humor e profissionalismo. Muitos adjetivos reunidos em uma só pessoa e por que não dizer, no grupo de atletas da JAMAICA. Domingo, 5 de agosto à tarde, o mundo parou para assistir aos 100m masculinos nas Olimpíadas. Dá gosto ver USAIN BOLT correndo. Sobretudo para nós apaixonados pela latinidade, corre nas veias uma alegria sem medidas, ver um atleta de a América Central competir e correr como uma flecha e/ou um raio e eternizar seu nome na memória de milhares e milhares de espectadores. De fato, “BOLT É ETERNO”. BOLT É O CARA.
Extasiado o mundo viu Bolt destronar americanos e russos e tantos outros. A Jamaica de Jimmy Cliff. A Jamaica da superação e da alegria. Por duas Olimpíadas consecutivas Bolt é o primeiro nos 100m. E, sem desprezar nossa capacidade de refletir duas questões se impõem: em que lugar ficaremos no quadro de medalhas? O que esperar para o futuro do nosso esporte olímpico? Será preciso – a nosso ver – muito tempo e tempo de mudanças acentuadas para atingirmos o nível da maioria dos atletas americanos, chineses, jamaicanos, japoneses e outros. Competir de igual para igual, impossível. Talvez o desempenho pífio do país nas Olimpíadas de Londres, reflita a mentalidade “provinciana” dos nossos dirigentes e governantes. Eles na sua maioria são os grandes culpados dessa tragédia esportiva e cultural.
Para nossa juventude, ensejamos uma tomada de posição mais aguerrida no tocante às questões do esporte. Em muitos lugares que passamos ouvimos pais e filhos (as) a dizer, quem dera que estivesse no lugar desse atleta. É quem sabe? Tirar da esquina nossa juventude onde a droga – sobretudo o crack – é soberana pode ser um bom começo. Investir mais em esportes e fazer como Bolt: tornar brincadeira algo tão sério e comovedor.

José Soares de Jesus
Mestre em Ciências da Religião
UNICAP-PE

sábado, 28 de julho de 2012

Campanha na "Província"


O ano de 2012 será marcado por duas tendências políticas que se excluem: a primeira é a dos candidatos (vereador ou prefeito) que navegam ainda numa mentalidade arcaica e de visão subalterna; a segunda será dos candidatos com uma visão ampla da situação social e cultural que não se prende a baixaria e denúncias vazias. Esses, com certeza serão poucos e apresentarão projetos de nível para que a população discuta. Analisemos no segundo quadro de tendência a questão cultural que passa pelas redes sociais. Nesse fator é de fundamental importância incluir boa parte da população - os jovens - que vivem mergulhados nas redes sociais e podem interagir com candidatos de nível. Aquelas ideias que subsistem de pretensos candidatos a "Divindade", que menosprezam os adversários e sempre enfatizam que "eu fiz, eu faço, eu posso, eu vou fazer", não tem nenhuma subsistência na atual conjuntura da sociedade. São candidatos a "Deus" ou a um cargo administrativo na terra? Por favor, nos poupem de seus "egos narcísicos". A juventude pode e deve colaborar com suas propostas ideias e sonhos. E ela está presente nas redes sociais. Lá é um lugar privilegiado de encontro, discussão e troca de propostas.

Outro quadro interessante é a questão sócio-ambiental. Nesse contexto faz-se necessário corrigir algumas sequelas muito graves. O eleitor precisa ler e se inteirar das demandas ligadas a: rio, água, manguezais e outras situações que em Aracaju são cruciais. O rio Sergipe que corta a capital está completamente poluído. Como pensar em um programa de governo sem essas pendências? Como interferir nas decisões políticas sobre esse assunto do Rio Sergipe e de outras demandas? Uma das atitudes é acompanhar a votação do Plano Diretor da cidade que está em votação na Câmara de Vereadores. Outra atitude é averiguar as propostas dos candidatos ao pleito de 2012.

Na verdade, estamos numa encruzilhada histórica. Aquela mentalidade de "vender o voto" por um saco de cimento, um emprego arranjado e dois mil blocos ou qualquer coisa material é absurda. Ela denigre a concepção de cidadania e colabora incomensuravelmente com a corrupção eleitoral. Posturas novas para uma nova sociedade. Fundamentada na justiça e equidade é a direção que precisamos.

No caso do cargo a vereador será preciso observar: o bloco a que pertence o candidato, sua postura ética sobre temas atuais como a vida, o meio ambiente, a saúde e etc. O vereador é um parlamentar da cidade e não um assistente social dos bairros. Aracaju ainda sofre com problemas terríveis de esgoto, transporte (mobilidade urbana) e na área da saúde. O vereador deve apresentar projetos para o bem comum e não contemplar as empresas corporativas da construção civil ou do transporte. Vereador é legislador e não "o pai midiático da pobreza". Devemos eleger pessoas idôneas e não pretensos candidatos a "Santos". A Câmara não é Igreja.

No caso do prefeito devemos enxergar que ele como executivo é o primeiro servidor público da cidade. É bem remunerado para isso e precisa de um bom número de parlamentares ao seu lado, alinhado com idéias de cunho social para governar a cidade. Votar isoladamente nele e, colocar demagogos na Câmara Municipal é um perigo estúpido que temos cometido ao longo da nossa tradição republicana.

Recordo uma frase de John Loocke, filósofo moderno: "A lógica do poder é querer mais poder". O prefeito nunca é um "ator social" isolado no mandato. Ele faz parte de um grupo que luta pelo poder. No Brasil e, em Sergipe, não é diferente, jamais se ganha eleição sozinho. Não existe mais messianismo em campanha eleitoral. Por isso, chegou a hora de se analisar, refletir, pensar e escolher bem. E mais, dá a desculpa de que não votou porque todos são iguais é uma ingenuidade atroz. Na política sempre existiu e sempre existirá situação e oposição. Planeje seu voto como cidadão e lutemos por uma Aracaju mais humana e afetuosa para todos.



                                                           José Soares de Jesus


quarta-feira, 27 de junho de 2012

A vida no planeta

Depois da RIO + 20 parece que certo desânimo tomou conta de algumas organizações que lutam pelo meio ambiente. As decisões foram tímidas e a sociedade organizada se pergunta: até quando conviveremos com tanta incerteza? Os próximos meses e anos com a insistência da "crise econômica" na Europa não oferece a humanidade grandes esperanças. O momento é deveras delicado. Num texto emblemático Leonardo Boff aponta:

"Depois das crises que afligem toda a humanidade, particularmente a do aquecimento global, da insustentabilidade do planeta Terra e ultimamente da econômico-financeira, atingindo o coração dos países opulentos, o crescimento do fundamentalismo e a permanente ameaça do terrorismo, os cenários dramáticos que muitos analistas sérios desenham para o próximo futuro da Terra, da Humanidade, da vida[1]...", completamos, não são animadores. A primazia do econômico sobre o social tem sido a grande mazela da nossa civilização ocidental.

As futuras gerações terão um papel fundamental na disputa pela sustentabilidade do planeta. O sistema necrófilo que alimentamos após a Revolução Industrial, precisa mudar rapidamente. Quem da nossa geração - década de 1960 - não se lembra dos engajamentos sociais e políticos durante a ditadura militar no Brasil? Quem não recorda a formação de uma base utópica em meio às religiões e a sociedade da época? Bons tempos. Só que, passaram. O crivo de análise é outro. O subjetivismo exacerbado que vivemos hoje nos aproxima incomensuravelmente da indiferença e da negação do outro. É preciso rever esse quadro.

Nossa geração necessita de uma marca indelével para substituir a depredação do meio-ambiente. E, em coisas pequenas e simples podemos mudar. Tomar atitudes que revelem o lado místico e mistérico de homens e mulheres mais espiritualizados. Esse combate já se iniciou e com palavras motivadoras, Boff nos apresenta esse caminho como essencial:

"Do capital material somos forçados passar ao capital espiritual. O capital material tem limites e se exaure. O espiritual, é infinito e inexaurível. O capital espiritual feito de amor, de compaixão, de cuidado, de criatividade, realidades intangíveis e valores infinitos que não há limites[2]"
Na comunidade eclesial e com a ONG Ação Cultural, queremos esse ano dá mais um passo na conquista desse equilíbrio entre o ser humano, a natureza e a vida de fé sem limites. Estamos preparando para setembro a II Jornada Ecologia e Espiritualidade com Zé Vicente. Venha e some-se a nossa luta e ardente desejo de justiça, solidariedade equilíbrio ambiental e espiritual.

José Soares de Jesus

 


sábado, 28 de abril de 2012

1ª REUNIÃO EM PREPARAÇÃO DA II JORNADA ECOLÓGICA


        
As fotos e as imagens dizem algo?



Os fatos e as idéias
Estamos imersos numa sociedade de desafios e “novidades”. Tudo, tudo mesmo que se fala e se escreve na atualidade tem a ver com o ser humano e sua relação com o mistério de Deus e a natureza. Creio que se trata de uma encruzilhada histórica séria e que nos impele a reflexão.
Lemos vários artigos e textos sobre os conflitos atuais e, na maioria dos pensadores que se encorajam a expor suas idéias encontramos argumentos interessantes e cheios de mística. É por isso, que realizamos com muita dificuldade e alegria a I Jornada Ecologia e Espiritualidade, setembro passado com Roberto Malvezzzi, o Gogó. Foi de uma riqueza incomensurável. Obrigado a Gogó pela luta e pela direção que nos deu. Ele é um dos “missionários mártires” (grifo meu) da fé e da mãe terra. Também escreve sempre na adital, basta acessar: www.adital.com.br. Temos também o teólogo e escritor Leonardo Boff, que sempre interpela a sociedade, as igrejas e enfim, todos os cristãos e não cristãos com seus temas abrasivos e atuais. Por isso, resolvemos transcrever uma de suas pérolas atuais:
Para ser sustentável o desenvolvimento há de ser economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. Já submetemos à crítica este modelo standard. Mas devemos ser justos. Houve analistas e pensadores que se deram conta das insuficiências deste tripé. Acrescentaram-lhes outras pilastras complementares. Vejamos algumas delas”.
E mais:
“Rogério Ruschel, editor da revista eletrônica Business do Bem, acrescentou uma outra pilastra: a categoria ética da generosidade. Esta se funda num dado antropológico básico: o ser humano não é apenas egoísta buscando seu bem particular, mas é muito mais um ser social que coloca os bens comuns acima dos particulares ou os interesses dos outros no mesmo nível de seus próprios. Generoso é aquele que comparte, que distribui conhecimentos e experiências sem esperar nada em troca. Uma sociedade é humana quando além da justiça necessária incorpora a generosidade e o espírito de cooperação de seus cidadãos”.
Vendo a fonte você pode consultar e ajudar a espalhar esse “carisma”. Ele postula no último trecho a questão da “generosidade”. Ora, ela permeia qualquer cidadão e cidadã que deseje uma sociedade e uma cultura diferente; fundamenta a vontade de se ser mais responsável, ético, solidário; por acaso, essas premissas não estão no evangelho? Adoramos nos debruçar naquela palavra de Jesus: “Olhai os lírios dos campos, eles....” (Mt 6,28-29).
Com tantas propostas nos agulhando e mexendo, decidimos novamente insistir na II Jornada Ecologia e Espiritualidade em setembro próximo. Em dezembro passado fomos até o Arcebispo, Dom José Lessa e, ele acolheu com alegria a proposta. Deu sugestões e abençoou. Partimos para montar o projeto via Cáritas e já estamos trabalhando prá valer. Na verdade, queremos que você se mobilize. Venha conosco, conheça nossos sonhos e também o que já temos de concreto. Foi à primeira “conversa” – 28 de abril – e em 26 de maio teremos outra e depois mais outra até realizarmos nosso sonho. Natureza-terra, mais respeitada; seres humanos mais equilibrados uns com os outros e com o eco-sistema; pessoas livres e dispostas a acolher o chamado do Deus da Vida: “Eu vim para que todos tenham vida” (João 10,10).

Estamos unidos a homens e mulheres de fé. Como Dorothy Stang (foto acima). Cremos em Jesus Cristo e num mundo possível, justo, amoroso, reconciliado e cheio de ternura. Por isso, insistiremos na mística da Oração, da Música e da Dança. Insistiremos numa leitura contextualizada e sem ideologismos. É verdade, temos uma paixão que nos arrebata: seguir o Jesus vivo e comprometido com os (as) excluídos (as) e sofredores de hoje. Sem “terrorismo religioso”, respeitando quem pensa diferente e pedindo passagem para nosso modo de crer e celebrar.
Também estamos nos preparando – e se Deus permitir – para marcar presença na Marcha da Águas, 3 de junho em Itacajubá/CE. Lá nos uniremos a tantos irmãos (as) no grito contra as Usinas Nucleares. Nós, que hoje tivemos a alegria de conversar sobre a Jornada, aguardamos você. Sinalize, mostre que deseja caminhar conosco e agende a data acima do próximo encontro (26/5). Abaixo colocamos nossos nomes e o desejo de uma nova história,

            José de Oliveira (Zezito), Irenir (Bel), Manuel Messias, Irene Smith, Edjane Paixão, José Soares (autor do texto acima), Josimar Santos, Edla, Nadjane, Wendel Salvador, Maxivel Ferreira e Antonio Fernado.