domingo, 25 de dezembro de 2011

Reflexão Nascimento de Jesus

A palavra Messias, vem do grego e significa "Ungido". Assim Jesus foi chamado depois pela comunidade crista.
Unção profética. Coragem e humildade D'aquele que entrou no mundo (Jo 1,1ss) sem ser percebido (Lc 2). Só
os anjos e os pastores tiveram a oportunidade de contemplar a Vida de Deus que irrompeu em Jesus Nazareno que
subiu de Nazaré da Galiléia para Bélem no ventre de Maria. Uma viagem dura e complicada. Durante o dia Maria e
José sentiram calor e à noite frio. Por isso pense nas palavra abaixo e não se deixe vencer pelo consumismo que
a soceidade prega esses dias:

Na sociedade que vivemos de pouca visibilidade do amor, na
África onde tantos passam fome, nas cadeias e nos presídios
Ele pede a nossa colaboração amorosa. Rezemos, atuemos,
lutemos pelo Reino Dele e façamos do seu Nascimento um tempo
de mudança interior e ao nosso derredor.
Felicidades e grande abraço!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sociedade da Véspera

Vivemos imersos numa sociedade complexa e permeada de ilusões. Nesse cenário de muita ambiguidade cresce uma certeza: tudo hoje se celebra na "véspera".

Esse é um tarço da cultura dita pós-moderna que está tão arraigado no inconsciente do indivíduo e da sociedade que nem sequer notamos ou nos damos conta das suas consequências.

No calendário civil brasileiro são várias as festas que se esgotam na véspera. O carnaval dá início a todas elas. Quando chega na terça-feira ninguém aguenta mais tanta folia. Na véspera de feriados e até dias santos haja comemoração. Festa da máscara, da fantasia, da primavera, do "muído", etc! No ritmo que as coisas se encaminham estamos perdendo o sabor da gratuidade e da alteridade.

As celebrações de ordem pessoal e familiar também não fogem a regra. Aniversário natalício, batizados e aniversário de casamento - quando alguém se lembra - é sempre celebrado na véspera. Por quê tanta pressa? Para onde se encaminha uma sociedade que privilegia o improviso? Só o tempo nos permitirá deduzir.

Enquanto isso, devemos encontrar alternativas diferentes. No próprio catolicismo celebramos as vésperas de José, esposo de Maria (março), Pedro e Paulo (junho), Assunção de Maria (agosto), Aparecida (outubro) e até do Natal do Senhor. Talvez aqui esteja um caminho diversificado para combater a cultura superficial, mórbida e consumista do mundo. Nas vésperas dos santos e santas a Palavra de Deus aponta para uma fonte inesgotável de felicidade: a prática do amor e da justiça. Jesus chama de bem-aventurado quem se arrisca a remar contra a corrente. A se expor frente as intempéries de uma cultura que prega a desilusão e a riqueza (Mt 5,1-12) E mais, ele enfatiza a primazia do Reino sobre a transitoriedade desse tempo (presente) e afirma que seus discípulos e discípulas devem ser diferentes: "Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus vocês não entrarão no Reino dos Céus" (Mt 5,20).

O advento chegou e logo mais as vésperas do Natal. Pense sobre isso e não permita que os presentes oriundos de relações dúbias e interesseiras, arrebate o lugar onde o verdadeiro presente nos dignificará como cristãos e até não cristãos: a manjedoura do nosso coração. Nele não há vésperas. Nele não há frustração alguma que impeça a realização vida da esperança (Rm 5,5) trazida pelo Messias para todos e todas, especialmente para os pastores, pobres, humildes, os manos e os sem voz e sem vez.

José Soares de Jesus

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dormi em Patmos (Grécia), acordei em Aracaju

Os últimos acontecimentos que despontam no Brasil são de deixar o cidadão de “orelha em pé”. Não bastassem os escândalos de corrupção e a queda de personagens do primeiro escalão do governo, temos que assistir a seleção canarinho jogar e ganhar do Gabão de 2 X 0. É lastimável, que mediocridade. Esses fatos nos impelem até a desejar que o famoso “hospital do câncer” em Sergipe, que nem sequer foi licitado, seja uma poça de água fria num deserto, não de areia mais de sensatez. Faça-me o favor.
Quanto à corrupção já virou endemia. Está patente que corruptos e corruptores comungam de uma cultura de impunidade nesse país. A população também é inerte é compactua quando no ônibus lotado, o trocador apressado devolve R$ 17,50 ao passageiro, pensando que ele lhe dera R$ 20,00, quando na verdade, deu apenas R$ 5,00 e, na passagem que custa R$ 2,50 o cidadão imoral, segura o troco como se nada tivesse acontecido. Que mediocridade.
Quanto ao futebol, admiremos Neymar que vai ganhar mais de R$ 3.000.000,00 por mês, enquanto os flanelinhas no mercado de Aracaju mendigam a gorjeta de R$ 0,50 por carro. Poupem-me! Sempre me liguei no futebol, mas os gaboneses com sua cultura rica e contagiante no centro da África – que de passagem é nossa mãe cultural – não deviam aceitar jogar com um time tão fraco e inconsistente. Francamente, eu distribuo melhor as camisas do que o Mano Meneses. O que dinheiro não faz. Que horror.
E o famoso hospital? Mal se falou nele e pensei: os hospitais dos bairros – Getúlio Vargas e Augusto Franco – e mais o HUSE estão superlotados de que? De pessoas alegres e felizes pelo atendimento exemplar do poder público? Que nada, estão chorando e se lastimando porque na saúde há dinheiro que corre pelo esparadrapo e escorrega pelo éter, ou melhor, pela seringa do oportunismo. Não queremos saber se virá ou não mais uma casa de saúde, queremos é tratamento para os mais pobres. Logo, foi para ontem. Melhor, amanhã, não me confundiram, hoje, depois e depois e não promessa antecipada de campanha. Chega de embromação.
Na sociedade que privilegia o acerto e acredita na justiça, as coisas não podem andar desse jeito. Sonhei que em 2012, teremos um (a) prefeito (a) com rosto de médico, corpo de juiz (justiça, equidade), braços e mãos como o de Marta que sempre atendeu Jesus com presteza e pernas de Zico, para fazer sem excentricidade – como a do desgastante Neymar – gols de falta, gols de liberdade, de equidade licitatória e gols de democracia. De repente, acordei. Foi um sonho. Mais não custa hein, não paga imposto. Terminando: “Esse é um pais que vai prá frente...”
José Soares de Jesus


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vaticano II: O Concílio da mudança

O Concílio Vaticano II foi convocado pelo Patriarca de Veneza, Cardeal Ângelo Roncalli. Mas não é o papa que o faz? Sim, é porque esse nome nos enche de alegria e esperança. Esse homem de fé, brilho incomensurável e muita fidelidade ao Cristo Bom Pastor, tornou-se o João XXIII, o papa mais destemido do século XX.
Sua atitude corajosa foi capaz de desbloquear alguns entraves que desde o Vaticano I (séc. XIX), a Igreja Católica sentia na sua relação com a sociedade civil e com as outras religiões.
João XXIII (1958-1963) soube auscultar o sinais dos tempos e deu a Igreja o rumo eficaz para dialogar sem medo com as problemáticas da modernidade na metade do século das grandes descobertas. "A Igreja assiste, hoje, à grave crise da sociedade. Enquanto para a humanidade surge uma era nova, obrigações de uma gravidade e amplitude imensas pesam sobre a Igreja, como nas épocas mais trágicas da sua história. Trata-se, na verdade, de pôr em contacto com as energias vivificadoras e perenes do evangelho o mundo moderno: mundo que se exalta por suas conquistas no campo da técnica e da ciência, mas que carrega também as conseqüências de uma ordem temporal que alguns quiseram reorganizar prescindindo de Deus" (Humanae Salutis, 3).
Sem medo das mudanças oriundas de uma mentalidade modernista o "papa bom" soube abrir as janelas da instituição para o mundo sem condenar, sem excluir, sem atemorizar "os diferentes" e sem oferecer palavras de concessão ambígua. Colocou a Igreja de Cristo no caminho da Tradição e do amor, abrindo o evangelho 
de Jesus para todos e todas.
A concepção eclesiológica que prevaleceu no Concílio das Mudanças foi a de colocar a Igreja Esposa de Cristo no lugar e no coração da humanidade, fazendo-a absolver as aspirações e os reclames de homens e . mulheres que não se sentiam incluídos na sua missão.
Tanto é assim que na Lumen Gentium, sua primeira constituição por ordem de abertura, o segundo capítulo fala sobre o "Povo de Deus". Uma inovação eclesiológica que custou o sono, a luta e a persistência de muitos padres conciliares. Quem poderia imaginar que a "Constituição Hierárquica da Igreja" ficaria no capítulo posterior? Um avanço muito relevante. Sinal de mudança e mais de transição. Uma Igreja que "só ensinava", agora se abre para ouvir, compreender, dialogar e dispor aos cristãos um espaço privilegiado de pertença eclesial. Pena que muitos (as) ainda não conhecem tamanha riqueza histórica.
As idéias restritivas do passado, foram superadas pela necessária adequação da Igreja ao tempo presente. “O conceito de Igreja “sociedade perfeita” estava já implícito nas afirmações de Gregório VII, o papa que ligou o seu nome a uma das mais poderosas reformas da Igreja, realizadas no século XI” (ZAGHENI, 1999, p. 59). Essa imagem que perpassou o período moderno alimentou uma concepção notadamente hierárquica. O Vaticano II, agiu como uma "dobradiça" e permitiu que as janelas da "Eklessia" se abrissem para incutir os ventos da liberdade, do amor, do perdão e da acolhida. 
Salve o Vaticano II. São 46 anos de desafios e precisamos insistir para que ele reoriente os caminhos da Igreja de Cristo.

REFERÊNCIAS 

HUMANAE SALUTIS. cONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO XXIII.


ZAGHENI, GUIDO. A Idade Contemporânea: curso de história da igreja. São Paulo: Paulus, 1999.


  

Outubro de "Fé"

Artigo: Outubro de “Fé”

Durante o mês de outubro fomos presenteados com a memória de mulheres e homens fantásticos.
Santa Terezinha, Tereza de Àvila, Francisco de Assis e Virgem Aparecida. Que tempo maravilhoso para poder reconhecer a grandeza desses predestinados (Rm 8,28-30) que souberam pelo batismo viver mergulhados no amor de Deus.
São nos momentos mais delicados da história da Igreja que o Espírito suscita essas pérolas para ajudar a Esposa de Cristo retomar o caminho da liberdade e do compromisso com os pobres e sofredores. Tereza de Ávila foi uma dessas que questionou, discutiu, rezou, interpelou e deu sua indispensável contribuição.

Já no dia 28 de outubro tivemmos Judas e Simão, o Zelote. Dois homens diferentes em tudo. O Zelote fazia parte de um grupo que lutava para libertar a Palestina do domínio Romano. Ave-Maria, Jesus tem cada escolha, pode se questionar o leitor! Mas é isso mesmo. Que bom. Jesus escolhe quem ele quer e mais, escolhe sem ligar para unanimidade (Mt 10,1ss).
Para aqueles (as) que gostam de "santos" sem se importar com as vicissitudes da vida, um aviso: você está fora da agenda/lista de Jesus. Ele não chama pelo critério da unanimidade. Nem os "melhores" e nem os mais "comportados". Ele não liga para clichês e rótulos. Para segui-lo basta amá-lo com inteireza. Senti-lo com o coração e deixar que o Espírito de Deus (Lc 4,16ss) assuma o leme. Que mês de fé. Experimente aproximar-se Dele e saiba que como a Simão, Judas, Hélder, Diva, Pedro, Dorothy (assassinada no Pará), Tereza, Dulce e tantos outros ele te chama e te capacita. Basta que aceite o diferente.

    José Soares de Jesus
    Paróquia Pio X
    Mestrando-aluno de Ciências da Religião
    UNICAP-PE


terça-feira, 10 de maio de 2011

A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

Na sociedade atual tudo se constrói a partir de imagens e espetáculos. As notícias são transmitidas no ato dos acontecimentos e na tela do computador ou na TV digital temos a impressão que o mundo está dentro de nossa casa. Só que na maioria das vezes não medimos as conseqüências do que vemos e nem refletimos sobre os fatos.
Tudo é notícia. Desde o esporte, a novela, o telejornal, o filme e até sobre a religião. Nada é mais pensado. Para que, vemos no ato as coisas! Essa impressão é enganosa e não cria uma cultura construtiva, crítica, cidadã e adequada. Na velocidade em que os acontecimentos se desenrolam estamos navegando no escuro.
Semana passada – mais precisamente no dia 2 de maio – a Rede Globo dedicou quase 90% do Jornal Nacional a epopéia americana que culminou na suposta morte de BIN LADEN no Paquistão. Deu destaque imenso, interagiu com repórteres dos quatro cantos do mundo, passando pela Europa, Israel, Ásia, Oriente Médio e América Latina. O presidente do Peru disse que foi milagre e tripudiou da morte do terrorista pensando que Deus se alegra com sinais de espetáculo. Penso que se enganou.
A maneira como o poder americano conduz a política internacional nada tem de divino. O poder militar exacerbado é prova de insegurança de uma cultura que se considera hegemônica fala de liberdade, mas não respeita os direitos humanos. No caso exposto de BIN LADEN – salvo os atentados contra o ocidente – o Jornal Nacional devia dá a mesma cobertura aos reclames do Paquistão que lamenta a ingerência americana no seu território. Quem está com a razão? Talvez nenhum deles. Divulgam protestos formais mais agem de maneira desumana visando interesses bélicos e comerciais.
No mundo do espetáculo a vida humana e do planeta vale pouco. As necessidades que vigoram são a do consumo de armas, da violência e do poder. Não são mediadas as conseqüências da mentira e do assassinato em massa de pessoas indefesas em nome de uma ideologia capitalista desenfreada e predadora.
O espetáculo está tomando conta da nossa liberdade de decidir. Ele é perigoso e conduzido assim é nefasto. Não respeita nem o poder da consciência onde Deus se revela ao ser humano.
“De fato o homem tem uma lei escrita por Deus em seu coração. Obedecer a ela é a própria dignidade do homem, que será julgado de acordo com está lei. A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz” (GS 16).
Estamos aplaudindo tanto a morte de BIN LADEN como a morte das vítimas do 11 de setembro. Não fazemos muita distinção, não dá tempo, queremos notícias, fama, projeção, espetáculo, beleza, festa e estamos trocando nossa liberdade cristã que prega o direito à vida pelo simples prazer de consuir.
A saga pós-moderna da indiferença frente aos valores humanos está nos anestesiando. Pode ser uma notícia boa ou má. Não importa. Vale do mesmo jeito. Tudo é muito rápido e nossas relações também se tornam pífias e superficiais. A norma do descartável está presente em nossas decisões, se é que tomamos alguma (...).
Nossa proposta é olhar com criticidade e ternura a vida e os acontecimentos não julgando os fatos e o ser humano apenas pela notícia. A vida esconde muito mais beleza do que pensamos. Os motivos do terrorismo são nefastos mais nossa maledicência em consumir é proporcional a ele. Não somos seres descartáveis. Não é essa a proposta cristã. A vida vale muito mais em sua plenitude.
Precisamos descobrir o valor da ternura em nossas relações pessoais e comunitárias. A sociedade atual está carente de afeto. O espetáculo não pode ditar as regras. Urge redescobrir no diálogo incansável e na tolerância amorosa os direitos comuns que temos a vontade imensa de paz que buscamos e o ímpeto divino de felicidade que nos cerca. Somos herdeiros da pregação de Jesus. “Felizes os mansos porque herdarão a terra. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5, 4.9). A felicidade, a alegria, o desejo incessante do aconchego deve nortear nossa vida contra toda forma de espetáculo.

REFERÊNCIAS
Bíblia de Jerusalém, Paulinas, 1985.
Compêndio do Vaticano II, Vozes, Petropolis, RJ: 1983.

José Soares de Jesus
Professor de História da Igreja Antiga – Contemporânea
Mestrando em Ciência das Religiões – UNICAP



sexta-feira, 6 de maio de 2011

O pobre está contemplado na reflexão teológica atual?

Seis de maio/2011
Vários temas e aspectos da sociedade atual têm nos chamado atenção: política, ecologia, educação, igreja e religião. Façamos aqui uma observação entre igreja e religião. Elas estão separadas não só por questão semântica, mas por necessidade de aprofundamento e elucidação.
Muitos (as) fazem coincidir religiosidade com eclesialidade e acabam colocando seus interesses acima do mistério. Explico! Ao falarmos de religião, faz-se necessário encontrarmos o caminho da paixão, do entusiasmo e do encantamento que levou muitos Padres da Igreja nos séculos III e IV ao martírio e a combater as "forças do mal" que oriundas do Império Romano e outros lugares, oprimia os cristãos. A voz dos Padres da Igreja era alicerçada num dinamismo e numa pregação profunda que colocava Jesus Cristo como mistério de amor e de compaixão, capaz de dá sentido a existência humana e de reunir forças para superar os desafios impostos por políticas que separava culturas "inferiores" na ótica do dominador. O próprio cristianismo era até então subjugado e desafiado.
Jesus não era um "ícone de plástico" - grifo meu - erguido numa cruz de metal para ser adorado e cultuado como hóstia sem sacrário. Jesus não era uma proposta inviável ou um fermento sem poder de levedar. Ao contrário. Ele era assumido como o Deus-Humano o Amor-Encarnado que abrasava o coração, questionava as estruturas sociais e religiosas e continha um poder que se patentizava na comunidade. Ser cristão e cristã no século II, III e IV era comungar e tornar-se sacrário humano, dinâmico, móvel, comprometido, amando e amado, era fazer da vida uma paixão alucinante que desconcertava os que olhavam para as comunidades. Jesus não era objeto de culto isolado. Jesus era seguido, era proposta para discipulado e não para estagnação.
Recordamos um pouco Paulo e o papel das mulheres em suas comunidades. Quem mais tem paciência, afeto, coragem e tino para manter comunidades do que as mulheres? Vejam essa beleza da epopéia paulina: "Recomendo-vos Febe, nossa irmã e diaconisa da Igreja de Cencréia, para que a recebais no Senhor de modo digno...porque também ela ajudou a muitos, a mim inclusive. Saudai Priscila e Áquila, meus colaboradores...Saudai Maria, que muito fez por nós. Saudai Andrônico e Júnia, meus parentes e companheiros de prisão" (Rm 16,1-3.6-7). Como podem querer reduzir o cristianismo apenas a uma religião de culto? Não há cristianismo e nem Cristo sem militãncia, sem martírio, sem sofrimento e sem diaconia. Não há religiosidade e força eclesial sem as mulheres e sua catequese libertadora. Foi assim na origem. Não se pode apagar nem mascarar. 
Lembramos Agostinho escrevendo para Proba e Juliana no século IV. Vida cristã era vida posta a serviço dos outros (pobres) e não caminho de poder para o Império. Quantas lições e quantas queixas para hoje. Nossa teologia ocidental carece de brilho e explicitação. Não se faz teologia sem o "mistério de Cristo" e do "ser humano contemplado na sua encarnação". Teologia não é para esconder raciocínios e esquemas montados que acabam dificultando a experiência mística tão necessária para teólogos, pastores, leigas, missionários e o povo crente. Não existe reflexão racional pura sem identificação com a causa do Jesus pobre, sofredor e ressuscitado. Lembremo-nos de Marta, Lázaro e Maria (Lc 10, 38-42). Todos do movimento de Jesus. Na casa deles Jesus fez teologia. É fez, e, não escondeu a face do Pai que mais tarde Paulo chamaria o Pai das misericórdias. Em Betânia Jesus colocou o dom de servir e de rezar a serviço da mística do reino do seu Pai. Isso sim é teologia.
Lançamos um olhar sobre a religiosidade e a eclesialidade na América Latina a partir de 1968 com Medellin e 1979 com Puebla. Recordamos dos pilares da teologia da Libertação e da opção preferencial pelos pobres. Já ouvimos alguns - creio que mal informados - dizendo que ambas morreram. A eclesialidade de hoje é outra. Será que morreram ou foram transignificadas. Esclareçamos: foram transformadas e realimentadas a partir de outro contexto de mundo e de Igreja. E por quê? Ora, uma Teologia com 42 0u 45 anos ainda é adolescente. Não poderia ter sido sepultada. É pungente, renovadora, forte e este presente lá aonde muitos e muitas do clero e da vida religiosa deixaram suas armas com medo do embate: está em muitas periferias formando lideranças cristãs e sindicais; está nos guetos pela dança, pelo teatro pela capacidade do povo pobre se renovar; estão na ação de pastores, leigas, bispos e padres comprometidos na causa indígena, ecológica, da terra e do pão partilhado “Eu sou o pão vivo que desceu do céu” João 6,51a. Pão que desceu, ficou entre nós e alimenta, inebria e fortalece.
O período de gestação da Teologia da Libertação passou por necessidade da própria história. Mas seus matizes e a reflexão alimentada por ela continuam vivos e eficazes. Teologia não morre, não sucumbe. Teologia com experiência mística como a Teologia da Libertação não possui "propriedade no cartório". Tem semente, luzes, inspira práxis, é transformadora e alcança diversos caminhos na e fora da vida eclesial.
Os anos 80 foram de muito acrisolamento para teólogos e agentes da pastoral que se identificava com a Teologia da Vida e que gerou o Cebi e as Cebs. Foi um período de purificação e revisão. Ora forçada e ora por necessidade mesmo de re-direcionar e re-configurar o rumo. Mas ela sobreviveu. O que faz Frei Carlos Mester's, Orofino, Gebara, Dom Marcelo Barros, Leonardo Boff, Pe. Comblin (in memoriam), Ir. Francisca, Marlene e Pe Isaías é o que? Pura teologia. Uns fazem como luzeiro, outros e outras como provocação, outros como profunda oração que instiga e desinstala. E destaco no final Pe. Isaías de Propriá. A teologia dele é eclesial. Ele faz com seu trabalho a aproximação entre o novo e o antigo. Coloca nas mãos do povo o instrumento para a labuta (A Palavra) e ganha do povo a espada da confiança que só guerreiros e profetas usam quando conhecem o pensamento do povo e a opção amorosa de Deus. Quem vive no centro de nossa teologia?
               
José Soares de Jesus
Graduado em Filosofia pela UNISAL – Lorena/SP
Prof. de História da Igreja Antiga – Contemporânea
Mestrando em Ciências da Religião - UNICAP