terça-feira, 7 de agosto de 2012

O ETERNO BOLT

As Olimpíadas de Londres (2012) tem colocado histórias encantadoras em evidência. Elas são próprias de disputas desse nível. A China, por exemplo, disputa com os Estados Unidos o primeiro lugar no quadro de medalhas. Outros países despontam com força e muita preparação. O Brasil uma eterna decepção. O que consola – se é que existe esse parâmetro – é o desempenho de atletas individuais que lutam como heróis em meio a tantos outros que recebem apoio incontestável dos seus países. Por aqui em meio à falaciosa Olimpíada de 2016 fica nítida a certeza de que teremos muita desorganização; falta de incentivo aos atletas; desvio de verbas, que não se engane já começou a muito tempo; pouco investimento a longo prazo e uma cultura esportiva mórbida que investe de forma pífia na adolescência e na nossa juventude. Veja uma equipe de basquete americana jogando? Aonde começam os investimentos e o planejamento? Nas escolas e universidades. O Rio de Janeiro em 2016 corre o perigo de ser um fiasco!
Outra face da “medalha” e, essa bem mais reluzente é a saga de um negro da JAMAICA que encanta o mundo com sua ginga, criatividade, humor e profissionalismo. Muitos adjetivos reunidos em uma só pessoa e por que não dizer, no grupo de atletas da JAMAICA. Domingo, 5 de agosto à tarde, o mundo parou para assistir aos 100m masculinos nas Olimpíadas. Dá gosto ver USAIN BOLT correndo. Sobretudo para nós apaixonados pela latinidade, corre nas veias uma alegria sem medidas, ver um atleta de a América Central competir e correr como uma flecha e/ou um raio e eternizar seu nome na memória de milhares e milhares de espectadores. De fato, “BOLT É ETERNO”. BOLT É O CARA.
Extasiado o mundo viu Bolt destronar americanos e russos e tantos outros. A Jamaica de Jimmy Cliff. A Jamaica da superação e da alegria. Por duas Olimpíadas consecutivas Bolt é o primeiro nos 100m. E, sem desprezar nossa capacidade de refletir duas questões se impõem: em que lugar ficaremos no quadro de medalhas? O que esperar para o futuro do nosso esporte olímpico? Será preciso – a nosso ver – muito tempo e tempo de mudanças acentuadas para atingirmos o nível da maioria dos atletas americanos, chineses, jamaicanos, japoneses e outros. Competir de igual para igual, impossível. Talvez o desempenho pífio do país nas Olimpíadas de Londres, reflita a mentalidade “provinciana” dos nossos dirigentes e governantes. Eles na sua maioria são os grandes culpados dessa tragédia esportiva e cultural.
Para nossa juventude, ensejamos uma tomada de posição mais aguerrida no tocante às questões do esporte. Em muitos lugares que passamos ouvimos pais e filhos (as) a dizer, quem dera que estivesse no lugar desse atleta. É quem sabe? Tirar da esquina nossa juventude onde a droga – sobretudo o crack – é soberana pode ser um bom começo. Investir mais em esportes e fazer como Bolt: tornar brincadeira algo tão sério e comovedor.

José Soares de Jesus
Mestre em Ciências da Religião
UNICAP-PE

sábado, 28 de julho de 2012

Campanha na "Província"


O ano de 2012 será marcado por duas tendências políticas que se excluem: a primeira é a dos candidatos (vereador ou prefeito) que navegam ainda numa mentalidade arcaica e de visão subalterna; a segunda será dos candidatos com uma visão ampla da situação social e cultural que não se prende a baixaria e denúncias vazias. Esses, com certeza serão poucos e apresentarão projetos de nível para que a população discuta. Analisemos no segundo quadro de tendência a questão cultural que passa pelas redes sociais. Nesse fator é de fundamental importância incluir boa parte da população - os jovens - que vivem mergulhados nas redes sociais e podem interagir com candidatos de nível. Aquelas ideias que subsistem de pretensos candidatos a "Divindade", que menosprezam os adversários e sempre enfatizam que "eu fiz, eu faço, eu posso, eu vou fazer", não tem nenhuma subsistência na atual conjuntura da sociedade. São candidatos a "Deus" ou a um cargo administrativo na terra? Por favor, nos poupem de seus "egos narcísicos". A juventude pode e deve colaborar com suas propostas ideias e sonhos. E ela está presente nas redes sociais. Lá é um lugar privilegiado de encontro, discussão e troca de propostas.

Outro quadro interessante é a questão sócio-ambiental. Nesse contexto faz-se necessário corrigir algumas sequelas muito graves. O eleitor precisa ler e se inteirar das demandas ligadas a: rio, água, manguezais e outras situações que em Aracaju são cruciais. O rio Sergipe que corta a capital está completamente poluído. Como pensar em um programa de governo sem essas pendências? Como interferir nas decisões políticas sobre esse assunto do Rio Sergipe e de outras demandas? Uma das atitudes é acompanhar a votação do Plano Diretor da cidade que está em votação na Câmara de Vereadores. Outra atitude é averiguar as propostas dos candidatos ao pleito de 2012.

Na verdade, estamos numa encruzilhada histórica. Aquela mentalidade de "vender o voto" por um saco de cimento, um emprego arranjado e dois mil blocos ou qualquer coisa material é absurda. Ela denigre a concepção de cidadania e colabora incomensuravelmente com a corrupção eleitoral. Posturas novas para uma nova sociedade. Fundamentada na justiça e equidade é a direção que precisamos.

No caso do cargo a vereador será preciso observar: o bloco a que pertence o candidato, sua postura ética sobre temas atuais como a vida, o meio ambiente, a saúde e etc. O vereador é um parlamentar da cidade e não um assistente social dos bairros. Aracaju ainda sofre com problemas terríveis de esgoto, transporte (mobilidade urbana) e na área da saúde. O vereador deve apresentar projetos para o bem comum e não contemplar as empresas corporativas da construção civil ou do transporte. Vereador é legislador e não "o pai midiático da pobreza". Devemos eleger pessoas idôneas e não pretensos candidatos a "Santos". A Câmara não é Igreja.

No caso do prefeito devemos enxergar que ele como executivo é o primeiro servidor público da cidade. É bem remunerado para isso e precisa de um bom número de parlamentares ao seu lado, alinhado com idéias de cunho social para governar a cidade. Votar isoladamente nele e, colocar demagogos na Câmara Municipal é um perigo estúpido que temos cometido ao longo da nossa tradição republicana.

Recordo uma frase de John Loocke, filósofo moderno: "A lógica do poder é querer mais poder". O prefeito nunca é um "ator social" isolado no mandato. Ele faz parte de um grupo que luta pelo poder. No Brasil e, em Sergipe, não é diferente, jamais se ganha eleição sozinho. Não existe mais messianismo em campanha eleitoral. Por isso, chegou a hora de se analisar, refletir, pensar e escolher bem. E mais, dá a desculpa de que não votou porque todos são iguais é uma ingenuidade atroz. Na política sempre existiu e sempre existirá situação e oposição. Planeje seu voto como cidadão e lutemos por uma Aracaju mais humana e afetuosa para todos.



                                                           José Soares de Jesus


quarta-feira, 27 de junho de 2012

A vida no planeta

Depois da RIO + 20 parece que certo desânimo tomou conta de algumas organizações que lutam pelo meio ambiente. As decisões foram tímidas e a sociedade organizada se pergunta: até quando conviveremos com tanta incerteza? Os próximos meses e anos com a insistência da "crise econômica" na Europa não oferece a humanidade grandes esperanças. O momento é deveras delicado. Num texto emblemático Leonardo Boff aponta:

"Depois das crises que afligem toda a humanidade, particularmente a do aquecimento global, da insustentabilidade do planeta Terra e ultimamente da econômico-financeira, atingindo o coração dos países opulentos, o crescimento do fundamentalismo e a permanente ameaça do terrorismo, os cenários dramáticos que muitos analistas sérios desenham para o próximo futuro da Terra, da Humanidade, da vida[1]...", completamos, não são animadores. A primazia do econômico sobre o social tem sido a grande mazela da nossa civilização ocidental.

As futuras gerações terão um papel fundamental na disputa pela sustentabilidade do planeta. O sistema necrófilo que alimentamos após a Revolução Industrial, precisa mudar rapidamente. Quem da nossa geração - década de 1960 - não se lembra dos engajamentos sociais e políticos durante a ditadura militar no Brasil? Quem não recorda a formação de uma base utópica em meio às religiões e a sociedade da época? Bons tempos. Só que, passaram. O crivo de análise é outro. O subjetivismo exacerbado que vivemos hoje nos aproxima incomensuravelmente da indiferença e da negação do outro. É preciso rever esse quadro.

Nossa geração necessita de uma marca indelével para substituir a depredação do meio-ambiente. E, em coisas pequenas e simples podemos mudar. Tomar atitudes que revelem o lado místico e mistérico de homens e mulheres mais espiritualizados. Esse combate já se iniciou e com palavras motivadoras, Boff nos apresenta esse caminho como essencial:

"Do capital material somos forçados passar ao capital espiritual. O capital material tem limites e se exaure. O espiritual, é infinito e inexaurível. O capital espiritual feito de amor, de compaixão, de cuidado, de criatividade, realidades intangíveis e valores infinitos que não há limites[2]"
Na comunidade eclesial e com a ONG Ação Cultural, queremos esse ano dá mais um passo na conquista desse equilíbrio entre o ser humano, a natureza e a vida de fé sem limites. Estamos preparando para setembro a II Jornada Ecologia e Espiritualidade com Zé Vicente. Venha e some-se a nossa luta e ardente desejo de justiça, solidariedade equilíbrio ambiental e espiritual.

José Soares de Jesus

 


sábado, 28 de abril de 2012

1ª REUNIÃO EM PREPARAÇÃO DA II JORNADA ECOLÓGICA


        
As fotos e as imagens dizem algo?



Os fatos e as idéias
Estamos imersos numa sociedade de desafios e “novidades”. Tudo, tudo mesmo que se fala e se escreve na atualidade tem a ver com o ser humano e sua relação com o mistério de Deus e a natureza. Creio que se trata de uma encruzilhada histórica séria e que nos impele a reflexão.
Lemos vários artigos e textos sobre os conflitos atuais e, na maioria dos pensadores que se encorajam a expor suas idéias encontramos argumentos interessantes e cheios de mística. É por isso, que realizamos com muita dificuldade e alegria a I Jornada Ecologia e Espiritualidade, setembro passado com Roberto Malvezzzi, o Gogó. Foi de uma riqueza incomensurável. Obrigado a Gogó pela luta e pela direção que nos deu. Ele é um dos “missionários mártires” (grifo meu) da fé e da mãe terra. Também escreve sempre na adital, basta acessar: www.adital.com.br. Temos também o teólogo e escritor Leonardo Boff, que sempre interpela a sociedade, as igrejas e enfim, todos os cristãos e não cristãos com seus temas abrasivos e atuais. Por isso, resolvemos transcrever uma de suas pérolas atuais:
Para ser sustentável o desenvolvimento há de ser economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. Já submetemos à crítica este modelo standard. Mas devemos ser justos. Houve analistas e pensadores que se deram conta das insuficiências deste tripé. Acrescentaram-lhes outras pilastras complementares. Vejamos algumas delas”.
E mais:
“Rogério Ruschel, editor da revista eletrônica Business do Bem, acrescentou uma outra pilastra: a categoria ética da generosidade. Esta se funda num dado antropológico básico: o ser humano não é apenas egoísta buscando seu bem particular, mas é muito mais um ser social que coloca os bens comuns acima dos particulares ou os interesses dos outros no mesmo nível de seus próprios. Generoso é aquele que comparte, que distribui conhecimentos e experiências sem esperar nada em troca. Uma sociedade é humana quando além da justiça necessária incorpora a generosidade e o espírito de cooperação de seus cidadãos”.
Vendo a fonte você pode consultar e ajudar a espalhar esse “carisma”. Ele postula no último trecho a questão da “generosidade”. Ora, ela permeia qualquer cidadão e cidadã que deseje uma sociedade e uma cultura diferente; fundamenta a vontade de se ser mais responsável, ético, solidário; por acaso, essas premissas não estão no evangelho? Adoramos nos debruçar naquela palavra de Jesus: “Olhai os lírios dos campos, eles....” (Mt 6,28-29).
Com tantas propostas nos agulhando e mexendo, decidimos novamente insistir na II Jornada Ecologia e Espiritualidade em setembro próximo. Em dezembro passado fomos até o Arcebispo, Dom José Lessa e, ele acolheu com alegria a proposta. Deu sugestões e abençoou. Partimos para montar o projeto via Cáritas e já estamos trabalhando prá valer. Na verdade, queremos que você se mobilize. Venha conosco, conheça nossos sonhos e também o que já temos de concreto. Foi à primeira “conversa” – 28 de abril – e em 26 de maio teremos outra e depois mais outra até realizarmos nosso sonho. Natureza-terra, mais respeitada; seres humanos mais equilibrados uns com os outros e com o eco-sistema; pessoas livres e dispostas a acolher o chamado do Deus da Vida: “Eu vim para que todos tenham vida” (João 10,10).

Estamos unidos a homens e mulheres de fé. Como Dorothy Stang (foto acima). Cremos em Jesus Cristo e num mundo possível, justo, amoroso, reconciliado e cheio de ternura. Por isso, insistiremos na mística da Oração, da Música e da Dança. Insistiremos numa leitura contextualizada e sem ideologismos. É verdade, temos uma paixão que nos arrebata: seguir o Jesus vivo e comprometido com os (as) excluídos (as) e sofredores de hoje. Sem “terrorismo religioso”, respeitando quem pensa diferente e pedindo passagem para nosso modo de crer e celebrar.
Também estamos nos preparando – e se Deus permitir – para marcar presença na Marcha da Águas, 3 de junho em Itacajubá/CE. Lá nos uniremos a tantos irmãos (as) no grito contra as Usinas Nucleares. Nós, que hoje tivemos a alegria de conversar sobre a Jornada, aguardamos você. Sinalize, mostre que deseja caminhar conosco e agende a data acima do próximo encontro (26/5). Abaixo colocamos nossos nomes e o desejo de uma nova história,

            José de Oliveira (Zezito), Irenir (Bel), Manuel Messias, Irene Smith, Edjane Paixão, José Soares (autor do texto acima), Josimar Santos, Edla, Nadjane, Wendel Salvador, Maxivel Ferreira e Antonio Fernado.


                              





           

sábado, 24 de março de 2012

CHICO BRASILEIRO

A riqueza do Brasil transcende nossas fronteiras e quando se trata de futebol, cultura e carnaval ai ninguém consegue prever a beleza do nosso povo.

Nesses últimos meses tem-se discutido com intensidade na imprensa e nas redes sociais as ingerências da FIFA no que tange a aprovação das leis da Copa do Mundo 2014. Para nós, parece absurdo uma instituição de credibilidade questionada impor condições a um país soberano. É um absurdo. Vergonhoso, indecente, desqualificada essa pretensão e a mordaça do governo também. Mas hoje nosso tema é indelével e não perderemos tempo com “detalhes”.

Queremos falar um pouco sobre “Chico Brasileiro”, Chico Sonhador, Chico de Paula e do Ceará, Chico da Alegria e do Humor o Chico Anísio, a nosso ver insubstituível.

Nossa geração que acompanhou desse “moleque” o Chico City não pode deixar de prestar homenagem a esse artista fantástico. As palavras não conseguem qualificar a magnitude desse brasileiro que criou mais de 200 personagens de humor. No mundo cheio de paradoxos, guerras, tragédias e grandes desafios, o Brasil de Chico é reverenciado e reconhecido pelo seu talento. Talento da alegria, talento de “Chico Brasileiro”.

No portal da Tv Cultura saiu uma homenagem ao grande Chico. Anos e anos de dedicação ao humor e uma profunda exaltação do nosso nordeste que, mesmo sofrido teve esse filho nobre.

Foram 65 anos atuando na arte de entreter, e mais de 200 personagens.Fernando Faro, apresentador do Ensaio, diz que ele pintou o Norte e Nordeste. “Ele eternizou essas figuras”. De Maranguape/CE para o mundo! Foi assim que aconteceu. Um artista que foi ator, escritor, dublador, compositor e pintor. Apresentou quadros na televisão que até hoje estão na memória dos brasileiros[1].

Chico Anysio extrapolou o Brasil. Sua “Escolinha” detonou índices de audiência dentro e fora do país. Nos últimos quarenta anos nada e ninguém relacionado ao humor superou a magnitude de Chico.

Em junho de 1993, Chico Anysio participou do Roda Viva. No programa ele explicou por que investiu na ‘Escolinha do Professor Raimundo’. “A Escolinha é o programa de humor de maior audiência no mundo ocidental! Não é? No mundo ocidental! Isso que a gente não inclui a China, porque tem muita gente, a Índia, não sei o quê e tal. Mas no mundo ocidental, a Escolinha tem uma média de quarenta pontos num universo de trinta milhões de televisores, que são doze milhões de televisores, mas com três pessoas por televisor, dá trinta e seis milhões de telespectadores. O segundo lugar é do Bill Cosby [comediante, ator e produtor de televisão norte-americano de muito sucesso[2].

Num país aonde a cultura do desmando e da corrupção se impôs desde seu descobrimento, Chico de Paula soube até na ditadura tripudiar e cutucar o General João B. Figueiredo mostrando-lhe a inconformidade do povo brasileiro com a mordaça imposta no Brasil. Caminhávamos para o fim da ditadura e pelo teatro, televisão e em outros palcos a sabedoria de Chico e de outros brasileiros (as) ajudou nossa gente a superar dor, tristeza, revolta e amargura. Quantos personagens inesquecíveis: Coalhada, Alberto Roberto, Nazareno, Jovem, Justo Veríssimo, Bozo,  todos eles recheados de irreverência e alegria.

Quando ainda hoje os quadros aparecem na TV sentimos a presença de Chico nos comunicando a si mesmo. Resta-nos recordar agora um texto do apóstolo Paulo, que como cristãos creio que cabe colocar na vida e no bem que Chico fez. “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: Alegrai-vos” (Fl 4,4)[3]. Descanse em paz Chico Anysio. Deus o acompanhe. Que nós brasileiros aprendamos dele a lição da alegria, da inteligência refinada e da crítica sutil.











DEUS AGE NA HISTÓRIA DO SEU POVO

O 4º domingo da quaresma nos presenteia com uma bela certeza: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu Filho único” (Jo 3,16). Trata-se de um alento maravilhoso descortinar essa máxima do evangelho joanino, escrito no final do primeiro século. O texto que continua a passagem do encontro de Jesus com Nicodemos balança nossas estruturas que só falam em condenar, expor, julgar, excluir e afastar.

Nossa condição humana não pode se afastar desse encontro com a palavra e a palavra nos dá condição de ir ao encontro de nossos desejos e motivos mais abscônditos, pois ela – a Palavra – nos revela quem somos. A proposta não é de buscar um Deus escondido nas amarras da perseguição e sim procurar minunciosamente na história de seu povo como Ele age libertando e salvando (2 Cr 36, 22-23).

Algumas questões nos interpelam: numa sociedade marcada por tanta violência, como podemos enxergar à ação divina? É possível falar em Deus e construir uma nova história com tragédias oriundas do preconceito e até da opressão religiosa? Como explicar a atitude do sargento americano que matou 16 pessoas (crianças) no Afeganistão? Certamente não queremos nesse artigo apresentar soluções imediatistas e sim esboçar um caminho de reflexão.

“Nabucodonosor deportou para Babilônia todos os que tinham escapado à espada, e eles se tornaram seus escravos, dele e de seus filhos, até o advento do domínio persa” (2 Cr 36,20). Esse fato ocorreu por volta de 587 a.C. Em pleno séc. VI depois de Jeremias ter alertado tanto o povo experimentou a desgraça. De novo a escravidão e a opressão. O profeta avisou tanto, não adiantou. Ora, Ciro fez renascer a esperança e por volta de 538 a. C., derrotou Nabucodonosor e libertou Israel. Ciro era Persa e não Judeu. Não é a violência e a impunidade que dão a última palavra. Mas sim Iahweh. Ele age na história, quebra paradigmas incestuosos e violentos; Ele tocou o coração de Ciro. É Iahweh quem dá a sentença final. Gostoso ouvir e crer nessa “profissão de fé”. O Senhor caminha com seu povo. 

As tragédias podem ter às vezes relação com a questão religiosa. Porém depende de como a interpretamos. A religião não pode ser e não é o fim em si mesma; ela abre possibilidades. Jesus foi capaz de construir um projeto novo a partir de uma matriz religiosa sem explorar, sem matar, sem condenar e sem oprimir. “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna (Jo 3, 14-15).

E ainda, esses acontecimentos que envolvem guerras e interesses espúrios não devem influenciar o caminho da compaixão pregado por Jesus. Afegãos ou Iraquianos; Brasileiros ou Venezuelanos ou qualquer outro povo, com sua arte e beleza, dores e júbilo, com sua religião e seus traços culturais não podem conviver com tanta opressão. É injusto demais, uma dor insuportável. Para nós cristãos ou muçulmanos o amor de Deus não se impõe através de um tanque bélico mas sim pela solidariedade. Se fosse nos E.U.A., como eles reagiriam? Será que deixaria o algoz sem julgamento? Lembremo-nos do acidente entre o Legacy e o avião da Gol. Teve algum americano julgado? É condenar o justo com base na iniqüidade é o mesmo que torturar Jesus numa fila do posto de Saúde; oi ainda numa sala de Igreja pregando o ódio e a discriminação.

Que o domingo da “luz”, da glória e da vida eterna brilhe na nossa vontade de juntar, agregar, unir e reconciliar. Esse é o rosto de Jesus, o Filho do Pai!

quarta-feira, 14 de março de 2012

PORQUE FICAR NA CIDADE?

Sábado celebraremos o aniversário da Cidade de Aracaju! O que temos para comemorar?


 
Durante nosso curso ginasial – conhecido como fundamental – aprendemos que a terra gira em torno do sol. Essa teoria precisou de tempo para ser codificada. É as coisas não são fáceis. E se aparecesse agora outra tese, afirmando que o firmamento é composto de estrelas, planetas e uma bola de gesso pintada de azul? O que pensaríamos? Ah, um absurdo. Nem tanto. Prefiro pensar no “pressuposto dialético” que a vida nos ‘impõe’. Ele nos permite trabalhar com idéias e situações antagônicas – mas não absurdas, é claro.



A descoberta da cidade no período moderno gerou grandes expectativas e mudou radicalmente a forma da convivência humana. Grandes alterações sociais trazem consigo problemas e leva o ser humano a criar mecanismos de defesa. Grandes aglomerados urbanos fazem eclodir ‘feridas’ profundas no tecido social. A ‘urbis’ do latim, lugar onde se enterra o umbigo foi e é, o lugar geográfico e poético da vida. Vida livre, alegre, e frenética. Se, apresentamos antes os motivos para sair da cidade, queremos agora, de forma ‘dialética’ mostrar outro viés. É a tentativa de polemizar e criar poeticamente um caminho inverso. Mais esperançoso menos tenso e acolhedor. Então, eis os motivos para ficar na cidade:



*Formação profissional: na cidade as oportunidades são maiores porque o avanço de novas tecnologias acabou criando postos de trabalho mais qualificados. Qualquer função hoje no comércio, na educação, na indústria usa a computação. A corrida pela terceirização, também tem sido fonte de emprego – para o antigo “Estado inçhado” – claro que com suas perdas. Tudo se multiplica na cidade. Ela encanta. O problema reside em não sonhar demais. Ela ajuda a colocar os pés no chão.



*Lazer e cultura: quem nunca foi a um Shopping Center. É um sonho de transcendência. Neles, tudo se compra. Tudo nele é encantador. Quem não se opõe a sua sedução acaba no S.P.C. E o que dizer dos cinemas e salas de Teatro? Da apresentação folclórica dos grupos regionais, do futebol nos domingos à tarde? Estabelecer relações de amizade e de paquera. A cidade ajuda a cultivar romance.



*Encontros e desencontros: nela se dá perdas irreparáveis. Mas nada melhor que o tempo, para curar e trazer de volta o desejo de ficar na cidade.

*O sagrado ‘mora na cidade’: inquieto com tantas interrogações, o homem e a mulher de hoje precisa do reencontro com o sagrado. Ele mora na cidade? Não sei. Talvez ele seja redescoberto nela. Nas suas armadilhas e na luta do excluído. A cidade é também mágica. Ela provoca a saudade do transcendente. Mexe e remexe com as convicções mais abscônditas do ser humano. Ele, o sagrado, não se impõe na cidade, não aceita o sectarismo como forma de engodo. Ele torna a pessoa mais humana e o coração compassivo. Ele sopra, abençoa, ampara e questiona. Ele faz amadurecer o que há de mais legal: o desejo de ser feliz. Viva a cidade.