domingo, 14 de abril de 2013

A FARTURA NA VIDA DA COMUNIDADE

A presença do ressuscitado nas margens do mar de Tiberiádes – palavra que significa Ṭabariyyah: uma cidade no norte de Israel.  Foi denominada em honra ao imperador romano Tibério – modifica a fisionomia e a história dos apóstolos Pedro, Tomé, Natanael e mais quatro do grupo que seguia o Nazareno (João 21,1). O trecho de João 21, 1-14, mostra a condição “renovada” do grupo após a ressurreição. Além da audácia e da paz que sentiam, os apóstolos são apresentados como homens que retornam a sua rotina e dentro dela, a perspectiva da mudança é sentida com muita força.
Quando refletimos sobre a páscoa em meio a essas pericopes do segundo testamento (N.T.), uma indagação deve nortear-nos: o que muda de fato na vida dos cristãos com a Ressurreição? Tudo não parece normal? Ora, aparentemente sim. Olhando na dimensão bíblica e a partir dela vislumbrando a realidade da sociedade moderna atual tudo parece o mesmo. As tragédias, o sofrimento da natureza, a violência contra o ser humano – de modo mais chocante contra as mulheres e os idosos – a iminência de guerra e outras anomalias parecem desconfigurar o que vemos e assistimos. Na verdade, o céu não trocou de lugar com a terra, mas, na vida dos seguidores e seguidoras de Jesus se estabelecem novos parâmetros. Ai está à diferença da páscoa para nós.
Em primeiro lugar, a certeza da paz. A novidade do Senhor vivo e agindo entre eles estabelece um novo tipo de relacionamento. Seja na ótica de João ou na de Lucas – evangelho e atos – é preciso restaurar o comportamento perante as dificuldades e os conflitos. O Senhor vive e passa a ser o centro da vivência e da pregação da comunidade. Notemos que logo no início Estêvão é martirizado, as perseguições prosseguem e, mesmo assim, existe um clima de paz, serenidade e alegria. A paz não é sinônimo de acomodação ou de “irenismo”. Ela é fruto de busca e de conquista. Como cristãos (as) amadurecidos, temos que devolver a nossas comunidades essa sensação. Somos muito carentes de paz.
Em segundo lugar, a dimensão da esperança. O ressuscitado cumpre a promessa e envia o Espírito Santo sobre a “nova comunidade” (Atos 2). O Senhor não tergiversa e nem confunde o grupo. Homens e mulheres seguiam de perto o nazareno e, agora, ressuscitado, seguirão a esperança e a concretude das suas promessas. O Espírito de Deus dado a comunidade permitirá que tudo continue como antes; claro que de maneira intensa e iluminada. Aqui não podemos deixar de apontar a melodia de Zé Vicente. Com seu talento e mística é um dos maiores divulgadores da luz e da esperança entre nossas comunidades. Canta o Zé: “Quando o Espírito de Deus soprou o mundo inteiro iluminou. A esperança na terra brotou e um povo novo deu-se as mãos e caminhou. Lutar e crer vencer a dor louvar o criador. Justiça e paz hão de reinar e viva o amor”.
Em terceiro lugar, o sentido da fartura (João 21, 9-12). Pão, peixe, comidas típicas entre nós, água, chuva e outros sinais. Como estamos carentes de partilha. No texto de João, antes de desembarcar os apóstolos vêem o Senhor e encontram comida na beira do mar de Tiberíades. É um sinal inconteste de que onde Deus está à amargura, o egoísmo, o consumo desenfreado e excludente não se perpetua. Para que o Cristo acenderia o fogo senão para sinalizar que ele aquece apenas os que sabem dividir? Não teria sentido o ressuscitado voltar a Galiléia e se auto-apresentar. Não necessitava disso. Sua passagem de volta entre a comunidade aponta para a superação da fome, da dor, do constrangimento. É duro, impiedoso, anti-evangélico ver ao nosso redor a fome que ainda assola irmãos e irmãs. A páscoa não pode estar completa se nossas comunidades não aprenderem a maior lição do nazareno: a partilha do pão!


José Soares de Jesus
Assessor das CEBs
Professor de História e Sociologia da Religião
Mestre em Ciência das Religiões pela UNICAP-PE

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A COMUNIDADE APOSTÓLICA E SEUS DESAFIOS

No contexto da alegria pascal celebramos no segundo domingo da páscoa um dos momentos mais alvissareiros da ‘comunidade’ dos seguidores (as) de Jesus. Com textos provocativos como o de Atos 5,12-16 e o de Ap 1,9ss, pudemos observar como são reais e contundentes os traços da verdadeira comunidade cristã.
Logo de início antes dos relatos bíblicos cabe uma pergunta: nossas comunidades ditas cristãs de hoje, possuem na verdade características comuns com a dos primeiros cristãos, ou são apenas, agrupamentos humanos? Vamos a alguns fatos!
Togo grupo que se reúne em torno de alguma coisa, ou acontecimento ou memória ou fato extraordinário, consegue resgatar com pujança a origem do que aconteceu no passado para impulsionar a realidade presente. Ou seja, é um grupo que tem motivação e objetivo claro. Nossas comunidades vivem ligadas umbilicalmente ao que celebram? Possuem norte e direcionamento ou vivem presas a regras e atabalhoadas na mesmice? Procuram resgatar a memória do ressuscitado?
Na leitura dos Atos 5, 12-16 a coragem de Pedro e a crença expressa dos fiéis tem uma conotação belíssima. Possui traços de liberdade e ousadia. Sinceramente, não vejo muito essas questões nas comunidades aonde passo. Lucas descreve que, quando Pedro passava algo de novo acontecia. Os fiéis levavam até doentes para ver se a sombra de Pedro tocava-os ao passar (At 5, 15). O que carregava consigo esse “homem simples”, esse – numa linguagem do sertão – tabareu da Galiléia? Algum talismã ou poder esotérico? Nada disso. E talvez aqui esteja presente a chave da questão. Mesmo antes da efusão do Espírito Santo, Pedro vem dominado – de dominus, Senhor – pelo Espírito do Senhor Ressuscitado. Pedro encabeça uma comunidade que se sente movida, atraída liberta e pronta para seguir um Deus vivo e não a imagem de uma figura inerte.
Pronto, dois traços já podem clarear o caminho da comunidade que se diz cristã. O primeiro é a Ousadia. Não confundir com petulância e falta de bom senso. Cristão (ã) de verdade não perde tempo com conversas dúbias e sem rumo. Não se preocupa em demasia com a vida dos outros. Não fofoca, não perturba a vida de quem descobre o caminho do ressuscitado. Não atrapalha a mística daqueles e daquelas que possuem espírito forte e orante (ver Ap 1, 10-12). Ousadia é o mesmo que destemor. Você vê e sente isso na sua comunidade?
O outro traço é a Liberdade que o Espírito provoca. Parece que há muita gente acovardada no atual contexto da vida cristã. E mais, em todos os níveis. Parecem mais preocupados com o espetáculo e as rendas do que com a continuidade da libertação que Jesus trouxe. Esses (as) são covardes. São traidores da missão do nazareno. Pouco afeitos a mudança e por isso, colocam todo tipo de barreira para que as coisas não deslanchem. A liberdade provoca entrega, alegria, satisfação generosa, abertura e diálogo com o diferente. Seja de uma religião diferente, de um grupo social, cultural, das minorias, etc. Quem é provocado pelo Espírito do Ressuscitado não idolatra o poder, mais o utiliza em função dos excluídos e dos desanimados. Nossas comunidades agem assim?
Por fim, creio que urge verificar se nossas reuniões e celebrações não estão formando agrupamentos humanos com interesses distintos daqueles que Jesus preconiza. Oxalá esteja no caminho certo. E como no evangelho de João 20,19-31 Ele, o Ressuscitado, aparece e deseja por três vezes a paz, é melhor exorcizar os três venenos ou “demônios” que impedem essa paz nas comunidades. São eles: a mentira, a divisão e a fofoca. Trabalhemos e vejamos a partir dessas referências se sua comunidade e as comunidades são de fato lugar – topos - de amadurecimento humano e cristão.

José Soares de Jesus
Assessor das CEBs em Aracaju-SE
Professor de História e Sociologia da Religião
Mestre em Ciências da Religião pela UNICAP-PE



sábado, 9 de fevereiro de 2013

O DESAFIO DA PESCA


O tempo comum expressa uma forte relação entre Jesus e o povo. Hoje, quinto domingo, aparece um texto forte de Lucas 5,1-11 evidenciando um pregador destemido e com a utilização de uma técnica inaudita. Leiamos os vv. 2-3 como ele afasta a barca da terra. Ora, essa atitude ajudava a voz do pregador a se expandir e ecoar. A voz batia na água e a própria natureza se encarregava de espalhar a sonoridade. Era comum o uso da técnica e Jesus a aperfeiçoa pelo cuidado e pela ternura que tem pelo povo. O texto diz: “subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo”.

O caminho profético de Jesus é diferenciado. Ele sentado, ensinava a multidão. Recorda um gesto de autoridade. Seus adversários se enfureciam e são muitos os textos que evidenciam isto. Por ex.: Lc 6,11 – “Eles ficaram com muita raiva e começaram a conversar sobre o que poderiam fazer contra Jesus”. Tamanha rejeição é fruto da escolha feita por Jesus. Quem está em destaque perante ele é o povo e não as autoridades. E mais, sua autoridade é acompanhada de uma ternura incomum, que torna-o diferente dos demais pregadores. Vejamos como no desenrolar da cena, a pesca entra como um prolongamento de quem observa a vida dos que o cercam.

Pedro, a pesca e nós

“Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar”. Avança Pedro. Coragem Pedro. A barca era de Simão e os peixes “escondidos no mar”. Numa nítida metáfora não podemos ver aqui o retrato da abundância messiânica? O que nos impede de enxergar no texto, a liberdade provocadora de Jesus diante da natureza, das pessoas, dos apóstolos e do povo? Para seguir Jesus de perto e fazer o que Ele fez tem que ser livre. Avança Pedro, avança comunidade tíbia e medrosa. O recado é claro: estamos engessando o evangelho. Nossa visão de Jesus e de sua profecia é quase sempre míope e interesseira provocando letargia – sono profundo – e um grande desgaste na maneira de apresentar o evangelho.

Em tempos de águas turbulentas é necessário arriscar mais e desapegar-se de certos preconceitos que atrapalham e, muito, os evangelizadores atuais. Alguns deles são: fundamentalismo e restrição ao círculo dos grupos católicos. Tudo isso acontece de forma nítida porque estamos ansiosos em pregar a “nós mesmos”. O conteúdo da pregação em muitos casos é recheado de lacunas aonde não se percebe a relação do pregador com aquilo que ele fala. Árbitros e juízes, senhores e moralistas se antecipam e condenam na pregação a tudo e a todos. Em certos momentos e lugares estão mais incisivos e condenativos do que os pregadores do período medieval. Há muitos e muitas enxergando heresias e erros em todo canto. Que pobreza. Não teria Pedro, por ordem de Jesus, apanhado peixes diversos e diferentes? Que mania de prejulgar e excluir do Reino quem não tem a marca dos grupos e das igrejas.

Nossa pesca está se tornando obsoleta. Não podemos esquecer que o mar não é nosso, as redes, também não. Na verdade, somos peixes da embarcação de Pedro e não os donos do barco. Somos aprendizes da história do reino e quanto mais nos dispusermos a escutar o Mestre que continua sentado nas praças, ruas, avenidas, favelas e hospitais, mais sua voz ecoara na tentativa de transformar a história e as pessoas que acreditam na sua proposta libertadora. Ou ainda pensam que Ele está apenas na “nossa igreja”?

José Soares de Jesus

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A REJEIÇÃO DOS PROFETAS

O caminho traçado por Lucas nesse quarto domingo do Tempo Comum (Lc 4, 21-30) continua a disputa entre Jesus e os nazarenos na sinagoga. Cabe ressaltar que Nazaré foi o lugar onde ele se criou. Era conhecido no vilarejo e gozava de certa simpatia. Só que ao se anunciar como Messias tudo mudou.

A rejeição. É típico dos textos bíblicos a rejeição aos profetas sobretudo no Primeiro (antigo) Testamento. Bom lembrar Amós, Ezequiel e sobretudo Jeremias. Nos parece que uma questão basilar se impõe: quando o profeta fala sobre Iahweh e esbraveja, dizendo que Deus está descontente com o povo, sem problemas; mais quando ele ousa apontar os pecados de Israel, ai tudo muda. Na verdade, trata-se de uma situação que acompanha a história humana nas diversas tradições religiosas. Vários e vários grupos - afora Isarel - além do judaísmo tiveram a presença de homens e mulheres profetizando. A concepção e o corpo da pregaçlão muda, mais a teimosia e o orgulho do povo, não. Se olharmos bem o caso de Jeremias, notaremos que a rejeição e o sofrimento perpassaram sua atividade profética. Muitos textos apontam para a tristeza e diría até, depressão do profeta com a situação vivida na sua época. Mencionemos alguns: Jr 2, 20-37; 8, 18-23; 11,18-23 e tantos outros dele e de outros. São descrições fortes e de uma teologia incomensurável porque toca na ardilosa incapacidade entre sacerdócio e profecia, sobretudo numa época que muitos sacerdotes se vendiam aos reis de Israel. É, templo e pregação profética não confluiam e, por isso, a trajetória do Messias no evangelho não poderia ser amena.

Com Jesus seria diferente?
A proposta de Jesus transcendeu a vocação dos profetas. Na verdade, Jesus não anulou os profetas antigos mais superou as expectativas do povo quando criou um movimento de homens e mulheres para segui-lo. Acendeu com sua pregação um fogo de esperança e destoou daquilo que sacerdotes, escribas e doutores da lei esperavam. Ele não se detem ao Templo. Quebra as estruturas injustas que torturavam os pobres e sofredores. O próprio Lucas apresenta Jesus na sinagoga várias vezes e quando realiza sinais é criticado e rejeitado: 13, 10-17. Jesus foi rejeitado e tratado como subversivo da lei. O que denota na sua pregação pelo estilo de vida que levava, é que Jesus preocupava as autoridades religiosas da época. De novo, Templo e Profecia não se combinam. O Reino pregado por Jesus não cabe dentro das estruturas religiosas. Pelo jeito, teremos que encarar hoje essa ruptura, mais cedo ou mais tarde. A questão é se teremos clareza para ler os sinais dos tempos e continuarmos a trajetória proposta por Jesus.

Jesus e a profecia hoje
É complexo mencionar nos tempos atuais aonde vivem de fato os profetas. A força da 'Palavra' continua ardendo no coração do povo de Deus, sobretudo dos mais pobres. Só que os espaços são limitados para uma vivência jesuânica forte e contundente. Nas comunidades em geral sobra uma igreja de movimentos e que ao nosso ver, perfaz um caminho oposto ao de Jesus. Exsite preocupação com a estética e com o culto em detrimento da profecia. Muitos e muitas ousam resgatar o caminho do Messias e se faz necessário ouvi-los. Podemos recordar o testemunho de D. Romero, de D. Hélder e D. Távora. A coragem da africana Joseja Bakita, de Madre Tereza e de Dorothy Stang. Sentimos que nos meios eclesiais existe suspeição da causa vivida por eles e elas, mais o projeto de Jesus continua vivo na memória e na história deles (as). Quando nos defrontamos com a luta quilombola e a coragem profética do Pe. Isaías Nascimento aqui em Propriá, sentimos que ainda vale a pena crer no Reino. A profecia não morreu. A rejeição dos profetas não significa que morreu a utopia; pelo contrário, o sangue deles e a força da eucaristia simboliza a gratuidade de quem encontrou seu verdadeiro tesouro (Mt 5,1-12a).

José Soares de Jesus
Mestre em Cc da Religião - UNICAP/PE

sábado, 6 de outubro de 2012

DEMOCRACIA REPRESENTATIVA


Chegamos ao dia das eleições municipais. A noção de cidade e de democracia deveria nortear os eleitores (as) nesse momento tão delicado de nossa conjuntura. Só que infelizmente, muitos ignoram sua condição e até vendem de forma humilhante o seu voto.

Na cidade – e para nós de Aracaju – passamos a maior parte de nossas vidas. Nela sofremos, choramos, lutamos, sorrimos e votamos. Nas eleições municipais todos esses traços aparecem com força e nosso dever é contribuir com uma participação altiva e coerente.

O último debate dos candidatos majoritários em Aracaju foi pífio e desastroso. Nada de novo surgiu e, pareceu-nos um teatro o engessamento dos participantes e das perguntas. Não sentimos firmeza. Temas fundamentais para o povo aracajuano passou distante e alguns ataques pessoais voltaram à tona manchando a democracia e esnobando da inteligência do (a) eleitor (a).

Temos a convicção que dessa vez ainda não avançaremos em questões urgentes para a coletividade. Podemos citar a dimensão ambiental e a problemática dos transportes. Na primeira, vemos o rio Sergipe poluído e agonizando em nossa capital. Que vergonha! A população, representada por entidades, igrejas, sindicatos e grupos ligados ao meio ambiente tem feito muito pouco. Os gestores: nada! E então, quem vai nos representar nessa luta? Na segunda, estamos à deriva. As empresas de transporte coletivo mangam da população. As propostas da campanha precisam de exeqüibilidade e nós, cidadãos e cidadãs temos que cobrar. Sair desse “anestesiamento social” e de uma inércia profunda que gera corrupção e permite aos gestores adiar sempre mais as mudanças necessárias. Transporte de qualidade e, sobretudo, viabilizar conforto e menos poluição ao meio ambiente.

Num pais como o Brasil, aonde o regime político permite eleição para os municípios é uma vergonha omitir-se da votação. A democracia representativa é uma condição de fazer valer nosso voto para prefeitos e vereadores honestos e comprometidos com o bem comum. O prefeito exerce de forma “macro” o papel de um síndico. Ele governa e dirige o município para todos e todas; ele nos representa e não deve ser o dono das verbas e da vida da população. Por isso, deve cair quando governa mal. E os vereadores (as)? Possuem tarefa complexa. Apresentam projetos e fiscalizam o executivo. Num regime democrático e representativo como o nosso, vereador recebe delegação de um coeficiente “X” da população. Não é assistente social para doar coisas e empregos. Não é um “messias” na concepção de que deve salvar rebanhos. Cremos que no legislativo nossa escolha deva ser mais acurada. Eleger um (a) vereador (a) exige critérios éticos e na nossa cidade todo cuidado é pouco com a ingerência de empresas e grupos econômicos. A população precisa acordar para não sofrer depois conseqüências desastrosas como no caso do Plano Diretor.

Democracia é um exercício delicado e necessário. Representatividade exige consciência e uma práxis mais comunitária. Votar, eleger, cobrar e mudar de candidato pode ser uma boa saída, quando a população reconhece seu papel no sistema político. Para fechar – por hora – a questão, citamos um trecho da Centessimus Annus:

·        “A Igreja encara com simpatia o sistema da democracia, enquanto assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os próprios governantes, quer de os substituir pacificamente, quando tal se torne oportuno; ela não pode, portanto, favorecer a formação de grupos restritos de dirigentes, que usurpam o poder do Estado a favor dos seus interesses particulares ou dos objectivos ideológicos” (n. 46).

Oxalá, Deus nos permita dias melhores na nossa cidade. Consciência cidadã mais apurada e tempos melhores para nossos filhos (as), netos e netas.

José Soares de Jesus

Mestre em Ciências da Religião –UNICAP/PE

·        João Paulo II, Encíclica Centessimus Annus, 1991.

 

sábado, 8 de setembro de 2012

O EVANGELHO DE MARCOS - LIVRO DE COMUNIDADE

                                                                                            
               A Igreja no Brasil segue um caminho missionário de intensa profundidade quando destaca a BÍBLIA no mês de setembro. Para quem trabalha e cuida de comunidades é uma oportunidade impar para aproximar ou reaproximar nosso povo da Palavra.

Durante esse ano de 2012 estamos trabalhando o evangelho de Marcos. Sentimos uma paixão imensa por esse primeiro relato da vida de Jesus. Os traços históricos do homem Jesus são fortes e impressionantes. Sugerimos a leitura orante de todo o cap. 6. Rejeição, conflito, ousadia e missão marcam a perícope.

Também é necessário destacar que o evangelho foi escrito para e a partir de uma comunidade. Não existe evangelho ou boa notícia solto, inconcluso, etéreo, abstrato e sem conexão com a realidade. Tudo isso serve para fugirmos de duas tentações terríveis que invadem nossas comunidades: a primeira é “fazer do evangelho um livro de receitas ou soluções mágicas” (explicarei no próximo artigo) e, a segunda é o fundamentalismo. São perigos recorrentes que tornam os cristãos (as), ou pelo menos, alguns mal informados, discípulos da violência e da intolerância. Isso porque usam a bíblia/evangelho como se fosse uma espada esquecendo-se de seu traço libertador e amoroso.

O Pe. Bortolini assevera com propriedade: “Marcos foi o primeiro evangelho a aparecer por escrito, e seu autor pode ser considerado o criador de um gênero literário chamado evangelho. Essa palavra, que significa boa notícia, não se refere a um livro, mas sim a seu conteúdo. Os Evangelhos não surgiram para serem considerados biografia de Jesus, mas canais transmissores da boa notícia, que é o próprio Jesus, em suas palavras e atos. Suas palavras e atos visibilizam o Reino, o projeto do Pai”.

Então vamos a sua leitura e reflexão nas comunidades. Lembremo-nos de um recado contumaz de João Marcos – esse é o nome de que escreveu o evangelho (Atos 12,12) – que é Seguir a Jesus. Um traço indispensável para uma boa leitura. E recomendo a leitura de Mc 10, 46-52. E um material maravilhoso para se aprofundar mais pode ser encontrado pelo site: www.cebi.org.br .

 

 

José Soares de Jesus

Curso de Teologia

e Pós-Graduação em Mag. Ensino Superior

Pela UNIT –ARACAJU

MESTRE em Ciência da Religião

UNICAP - PE

 

 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O ETERNO BOLT

As Olimpíadas de Londres (2012) tem colocado histórias encantadoras em evidência. Elas são próprias de disputas desse nível. A China, por exemplo, disputa com os Estados Unidos o primeiro lugar no quadro de medalhas. Outros países despontam com força e muita preparação. O Brasil uma eterna decepção. O que consola – se é que existe esse parâmetro – é o desempenho de atletas individuais que lutam como heróis em meio a tantos outros que recebem apoio incontestável dos seus países. Por aqui em meio à falaciosa Olimpíada de 2016 fica nítida a certeza de que teremos muita desorganização; falta de incentivo aos atletas; desvio de verbas, que não se engane já começou a muito tempo; pouco investimento a longo prazo e uma cultura esportiva mórbida que investe de forma pífia na adolescência e na nossa juventude. Veja uma equipe de basquete americana jogando? Aonde começam os investimentos e o planejamento? Nas escolas e universidades. O Rio de Janeiro em 2016 corre o perigo de ser um fiasco!
Outra face da “medalha” e, essa bem mais reluzente é a saga de um negro da JAMAICA que encanta o mundo com sua ginga, criatividade, humor e profissionalismo. Muitos adjetivos reunidos em uma só pessoa e por que não dizer, no grupo de atletas da JAMAICA. Domingo, 5 de agosto à tarde, o mundo parou para assistir aos 100m masculinos nas Olimpíadas. Dá gosto ver USAIN BOLT correndo. Sobretudo para nós apaixonados pela latinidade, corre nas veias uma alegria sem medidas, ver um atleta de a América Central competir e correr como uma flecha e/ou um raio e eternizar seu nome na memória de milhares e milhares de espectadores. De fato, “BOLT É ETERNO”. BOLT É O CARA.
Extasiado o mundo viu Bolt destronar americanos e russos e tantos outros. A Jamaica de Jimmy Cliff. A Jamaica da superação e da alegria. Por duas Olimpíadas consecutivas Bolt é o primeiro nos 100m. E, sem desprezar nossa capacidade de refletir duas questões se impõem: em que lugar ficaremos no quadro de medalhas? O que esperar para o futuro do nosso esporte olímpico? Será preciso – a nosso ver – muito tempo e tempo de mudanças acentuadas para atingirmos o nível da maioria dos atletas americanos, chineses, jamaicanos, japoneses e outros. Competir de igual para igual, impossível. Talvez o desempenho pífio do país nas Olimpíadas de Londres, reflita a mentalidade “provinciana” dos nossos dirigentes e governantes. Eles na sua maioria são os grandes culpados dessa tragédia esportiva e cultural.
Para nossa juventude, ensejamos uma tomada de posição mais aguerrida no tocante às questões do esporte. Em muitos lugares que passamos ouvimos pais e filhos (as) a dizer, quem dera que estivesse no lugar desse atleta. É quem sabe? Tirar da esquina nossa juventude onde a droga – sobretudo o crack – é soberana pode ser um bom começo. Investir mais em esportes e fazer como Bolt: tornar brincadeira algo tão sério e comovedor.

José Soares de Jesus
Mestre em Ciências da Religião
UNICAP-PE